domingo, janeiro 20, 2008

uma poesia à espreita;

há dias tento ser poeta:
em filmes,
no café bem quente
que preparo,
nas palavras inculcadas por insistência,
no ato vão de glorificar o escuso...
...nesta simulação rota e vadia
a que chamo viver.
o fato é que ser poeta,
não que a vida exija,
cobre o mundo das descobertas.
tão logo se dê conta,
em choque anafilático,
pode-se perder de vista os encantamentos:
é preciso ser vacinado contra o mesmo,
ter olhos mais do que dois,
ter vida quase que dupla,
e dupla quase que independente
uma da outra.
porque assim se escreve: de espanto.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Lars e o sonho

- este sonho que tive. estranho, inabitual.
- sobre o lars?
- sim. ou pelo menos suponho que seja isto. nunca vi tal pessoa na vida. não sei de que projeção meu inconsciente tomou tal figura...
- foto, capa de CD...
- música talvez.
- é, música.
- que melodia representaria aquele ser? penso aqui com meus botões...
- fosse talvez uma pavana...
- isso quê!? obra fúnebre!? puxe seu passo pra outro lado, que aquilo era beleza.
- como se morte não fosse bela.
- é. mas não aquilo.
- ...aquilo era tema de morte, sabe bem você, mas prefere negligenciar o fato. afinal, era tudo um sonho, concorda?
- é...era sonho. um drama também, já que descobrir a não -realidade é por demais doloroso.

sábado, janeiro 12, 2008

O mar, o sol, a lua

a onda devasta a paisagem litorânea;
espraia-se, indômita,
sobre o corpo arenoso,
deixando línguas negras
que, rapidamente, a terra consome.
do alto a lua branca
esmareia seu território,
arrojando pelo oceano seus raios nobres,
que o mar engole e, em seguida,
cospe.
mais alto ainda, o sol se encontra,
esluando seus raios intempestivos,
que a lua engole
e os reflete ao infinito...

domingo, janeiro 06, 2008

Felicidade Inconsciente

a vítima da leveza é feliz porque nunca o quis. é-se por assim ser. em natureza inata, imberbe, que se não desfaz por não se haver feito. é o inconsciente da forma e da definição. os prisioneiros dos paradigmas não descansam a se perguntar que vem a sê-la, mas não sabem responder o que não pensam, pois tampouco sabem o que dizem. pois é leveza, senhor, que não se carrega num turbilhão alavancado de pensamentos. por si, felicidade é isto: ausência de peso e consciência.

sábado, janeiro 05, 2008

A postagem trezentos (or: the post number three hundreds)

...tudo está inquieto: dentro, fora. Não sentir já não me causa espanto. Face-a-face com meu poema, com a vida em si: susto. um pequeno se manifesta...há muito não amo, há muito. sabem que estou ocupado, há uns sete meses, trabalho. há uns quatro não tenho palavras. há pouco tempo, viver tem-se tornado previsível: o corpo, que cedeu a esta rotina e madruga-se às sete da manhã; o vocabulário, que antes tão cultuado, tão cristalizado, é agora recluso n'alguma destas regiões do cérebro que escondem o subconsciente e tudo o que mais me poderia tornar espontâneo. estar feliz é um mero ensejo pra enganação. alguns, conformados, preferem seguir a trajetória pragmática que os levarão a concluir aqueles tão premeditados planos de carreira. e se declaram satisfeitos pelo feito, ou satisfatos pelo fato...todos seguem, espartânios, o tempo do mundo. é como uma aceitação de um tempo mínimo e comum, a ordem prelaz intempestiva do inconsciente hereditário, de onde se retiram as ferramentas para a construção do eu-elementar. aqueles há que nunca se constroem ou mesmo os que já estão, por vias de fato, construídos: os gênios do amanhã. ainda assim, o tempo do mundo continua agindo, inexorável aos rogos intempestivos de a diferença. este mesmo, que me está ensinando a ser assim: de pedra. há muito tempo não amam, pois o amor é o tempo de cada um...

terça-feira, janeiro 01, 2008

Ano novo: como escapar da colisão?

amo a diversidade: olhar o povo, do alto, lato senso, misturado em cores...pessoas amarelas, brancas, pretas, cabelos claros, escravos, escuros, ruivos; deu-me cãimbra, dormência nas pernas. o comentário vulgo que faz a tv quando percebo não estar solitário na sacada: fátima bernardes fala sobre o fim do ano, mas não tenho certeza se ela mesma. trato de estar, como deus, por escrever às linhas tortas, tortuosas sendas de caminho certo. fora isso, estudei Bechara feliz da vida, li Saramago e perguntei-me o que apresentar em troca de um favorecimento. agora que sei o ano novo se tratar de uma colisão, e um pouco mais sobre a natureza poliforme das coisas. elas choram: não é mais 2007. não entendo a diferença que um dia faz. apenas a ilusão dos que falam como rotos, os esfarrapados. é como pandemia camuflada, para qual não se pode aduzir nada. vejamos, agora apresento azo para ser este o ano da mudança: porque será apenas o contexto maior. a virtude gestáltica de ver a vida como um grande magote: nada de subdivisões.
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não há palavras, porque não há o sentido.